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Chapinha: temperatura certa, protetor térmico e como escolher a prancha

Mão passa a chapinha numa mecha longa de cabelo castanho, com uma escova na outra mão.
Aparelhosassunto
Salão e casapara quem
R$ 60 a R$ 600faixa, outubro de 2026
7 minde leitura

Uma prancha que mostra 450 na tela não chega a 450 °C. Esse número está em graus Fahrenheit, a escala usada nos Estados Unidos. Em Celsius, são uns 230 °C, que já é o calor de alisamento de salão. Muita gente liga no máximo achando que é o normal e passa anos com o cabelo mais quente do que precisa.

O certo não é o máximo. É a menor temperatura que alisa o seu fio em poucas passadas.

Fahrenheit ou Celsius

Confira na caixa ou no manual qual escala a sua usa. Se aparecer um F do lado do número, ou se os números passam de 300, é Fahrenheit.

Na tela (°F)Em Celsius, cerca de
300150 °C
340170 °C
375190 °C
410210 °C
450230 °C
480250 °C

Uma consumidora que usa prancha profissional há um ano e meio resume bem: uma chapinha que chegasse a 480 °C fritaria o cabelo na primeira passada.

Quanto calor para o seu cabelo

O manual que lemos traz uma tabela por tipo de fio, e as cabeleireiras que ouvimos trabalham perto dela:

CabeloTemperatura de partida
Fino150 °C
Com química (alisado, descolorido ou tingido)150 °C
Loiro muito claro ou branco150 a 170 °C
Médio170 a 190 °C
Grosso190 a 210 °C
Muito grossoaté 230 °C, só se não alisar com menos

Comece embaixo e suba aos poucos só se a mecha não alisar em duas ou três passadas. Para modelar, fazer ondas ou pontas viradas, raramente é preciso passar de 190 °C. As temperaturas mais altas, de 210 °C para cima, ficam para fio muito grosso que não alisa com menos. Usar 230 °C num dia comum, com o cabelo só lavado, só cansa o fio.

Protetor térmico

Toda vez que houver calor, há protetor. Escolha um que diga no rótulo que serve para prancha ou ferro, não só para secador. Aplique mecha por mecha, no comprimento e nas pontas, e espere secar antes de passar a chapinha.

Chapinha aberta com placas claras, secador, escova redonda, presilhas e um spray sem rótulo sobre a bancada.
Protetor térmico antes, cabelo seco e mecha fina: a ordem que pesa mais que a marca da chapinha.

Não conte com o óleo de pontas como protetor. Alguns trazem proteção térmica no rótulo; se o seu não diz isso, ele só esquenta junto com o fio. Nesse caso, deixe o óleo para depois.

Na progressiva a ordem muda: o produto alisante vai antes, conforme o rótulo dele, e o protetor só entra no acabamento, nas partes já alisadas. Como é química, vale a regra do rótulo: teste de mecha e teste de toque antes da aplicação.

Passo a passo

  1. Cabelo seco por completo. O manual que lemos proíbe passar a prancha em fio úmido. A água ferve dentro do fio.
  2. Protetor térmico, mecha por mecha.
  3. Divida em mechas finas, da largura da placa. Mecha grossa pede mais passadas.
  4. Escove a mecha antes de prender na placa.
  5. Placa sempre em movimento, da raiz para a ponta, num ritmo constante. Parar na mesma altura marca e queima o fio.
  6. Poucas passadas. Se precisa de muitas, a mecha está grossa demais ou a temperatura baixa demais, nessa ordem.
  7. Espere esfriar antes de pentear ou prender. O fio quente ainda está tomando forma.

Cabelo cacheado e crespo

Pouco calor e com intervalo diminui o estrago no cacho, mas não garante que ele volte igual. Uma cabeleireira cacheada que ouvimos usa no máximo 180 °C e segue uma regra simples: três dias de pausa entre um uso de calor e o próximo, com hidratação toda semana. Chapinha todo dia, nas palavras dela, é pedir para ter o cabelo acabado.

Outra consumidora cacheada passa a prancha uma vez só no comprimento e capricha na escova antes. Quanto mais passadas, mais difícil o cacho voltar depois da lavagem.

Ser crespo não quer dizer que o fio aguenta mais calor. O crespo costuma ser frágil. Comece pelo meio da tabela e suba só o necessário. Se o fio está quebrando, a cabeleireira que ouvimos é direta: pare com calor e com química até tratar.

Loiro, descolorido ou com química

Cabelo descolorido aguenta menos calor. Uma cabeleireira que ouvimos mostra o loiro claro ficando amarelado e alaranjado na prancha a uns 190 °C. Ela usa perto de 170 °C, com quatro ou cinco passadas, e nunca 230 °C em loiro. Outra usa, em loiro e cabelo branco, a penúltima temperatura da prancha, nunca a última.

O manual que lemos vai além: diz que a prancha não é indicada para cabelo muito fraco e danificado por tintura, descoloração ou alisamento, principalmente nas temperaturas mais altas.

Titânio ou cerâmica

As duas alisam. Mudam o calor e a mão.

A placa de cerâmica aquece de forma mais suave e é mais gentil com fio fino ou sensível. Em compensação, perde calor ao longo da mecha, e pode pedir mais passadas em cabelo grosso. Placa com revestimento por cima da cerâmica tende a descascar com os anos.

A placa de titânio passa calor rápido e mantém a mesma temperatura da raiz à ponta. Alisa mais em menos passadas, e por isso mesmo pede técnica: em temperatura alta, um descuido marca o fio. É a escolha de quem faz progressiva.

Além da placa, olhe três coisas: temperatura regulável, com tela que mostra o número; cabo giratório e comprido, que não torce no braço; e ponta fria, para segurar com a outra mão.

As marcas que você vai encontrar

Nas lojas do Brasil, estas são marcas comuns de chapinha (em ordem alfabética, sem ordem de preferência):

  • Britânia: pranchas domésticas de entrada, com placa de cerâmica.
  • Gama Italy: da mini prancha de cerâmica às de placa larga com temperatura alta.
  • Lizze: pranchas profissionais de titânio, com escala em Fahrenheit e calor alto para progressiva.
  • Mondial: pranchas domésticas de cerâmica e de titânio, com preço de entrada.
  • MQ Professional: pranchas profissionais de titânio, com tela digital e várias temperaturas.
  • Philco: pranchas domésticas com tela digital, trava de temperatura e bolsa térmica.
  • Philips: pranchas domésticas, várias com desligamento automático.
  • Taiff: linhas de cerâmica e de titânio, da clássica de 180 °C às de 230 °C.

O que cada marca promete de temperatura e de tempo de aquecimento vale para o modelo e a escala que ela usa. Antes de comparar, confira se o número está em Fahrenheit ou em Celsius, e se a prancha é bivolt.

Quanto custa e quando trocar

Nas lojas e comparadores que consultamos, uma chapinha de entrada sai de R$ 60 a R$ 120. A intermediária, de titânio e com tela, de R$ 120 a R$ 260. A profissional, com temperatura alta e muitas posições, de R$ 340 a R$ 600. Preços coletados em outubro de 2026.

Desconfie de prancha com cara de profissional, escala de 450 e preço de entrada. Um cabeleireiro que ouvimos alerta que muitas são falsificadas, sem controle real de temperatura e sem o selo do Inmetro.

Bem cuidada, uma boa prancha passa de dois anos sem problema. Uma consumidora mostrou a dela intacta depois de dois anos de uso, e outra, com a placa gasta nas bordas depois de um ano e meio, ainda funcionando bem. Troque quando a placa estiver arranhada ou descascando, quando o fio enroscar e arrebentar na passada, ou quando o cabo apresentar defeito. Uma cabeleireira que ouvimos trocou a sua aos dez anos.

O liso da chapinha dura até a próxima lavagem, ou até a umidade e o suor desfazerem. Com boa escova antes, dá para segurar três dias e respeitar a pausa até o próximo uso.

Segurança

Perguntas frequentes

Qual a temperatura certa da chapinha?

Para modelar, de 150 a 190 °C, conforme o fio. De 210 °C para cima, só para fio muito grosso que não alisa com menos. Comece embaixo e suba só se não alisar.

Preciso mesmo de protetor térmico?

Sim, toda vez. Use um que sirva para prancha e espere secar antes de passar.

Chapinha de titânio ou de cerâmica?

Cerâmica para fio fino ou uso leve. Titânio para cabelo grosso e progressiva, com cuidado na temperatura.

De quanto em quanto tempo posso usar?

O ideal é dar uns três dias de pausa entre um uso e outro, com hidratação toda semana.

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